Saturday, July 29, 2006

Inspiração Imaginária

O meu abraço tem a forma do teu corpo.

Quando te vejo fico sem jeito
e sobre o efeito do teu olhar
o meu corpo ressente-se, treme
procuro uma explicação
Todavia falta-me a razão
e depois o ar
é tudo derivado da arte de amar
O meu abraço envolve o teu corpo e o meu
naquelas alturas em que somos um só
Então eis que volto em mim
e vejo-me só, à tua espera
É tarde, a chuva cai e sem sinais teus
talvez o trabalho te tenha atrasado
mas o meu amor começa a ficar enfadado.

Monday, July 10, 2006

Café Bertrand

Assim estou eu, assim em proclamo, senhor do meu ‘Eu’, prisioneiro do meu corpo, destinado a esta vida, este mundo. A nossa existência é tão ‘sui generis’ que em questiono seriamente sobre a existência do nosso ‘Eu’ para além desta vida.
Parece absurdo eu sei, eu próprio defendo que apenas posso acreditar naquilo que vejo, e não somente naquilo que sinto.
Eis então pois, que me vejo neste labirinto, onde o pulsar da vida contrasta com o silêncio da morte.
Aqui, neste vulgar café, confronto-a, discuto com ela os preliminares da vida, desafio-a! Ela fita-me pelos mais diversos ângulos e garante-me que eu nada posso fazer, invocando que as vicissitudes da vida estão traçadas a nascença. Contudo algo em mim, vindo das entranhas, lutando por sair, debate-se com ela e diz-lhe que a vida não é assim tão linear, tão simples e que até morrer, vale a pena chorar, rir, cantar, amar.
Sou então acusado de garoto, pessoa inexperiente, tolo por acreditar numa vida cheia de felicidade. Eu defendo-me e justifico-me que a ignorância em mim não pernoita, que sei há muito tempo os prós e os contras desta vida e que continuo a achar que vale a pena viver com ‘v’ grande.
De repente volto em mim, verifico que não passaram mais do que uns milésimos de segundo, rio-me e bebo o último trago do meu café.