Sunday, February 25, 2007

Apaixonado

A insolubilidade dos meus pensamentos
Tornam-se em mil e um tormentos
O sol não me aquece
E a sua ausência me arrefece
Hoje sou terra e cinza
Amanhã nada mais do que uma brisa
A vida improvisa
E as minhas certezas desmaterializam-se
O amor esconde-se
A minha luz desvanece-se
Sou um ser demasiado apaixonado
Que apenas se baseia na verdade
Sofro as consequências
Das minhas atitudes correctas
Morro por cada desprezo dela
Perdi-me no tempo por ela ser tão bela.

Monday, January 01, 2007

FIM

Porque a vida dá muitas voltas
E certas voltas são melhores que outras
Tal como as ostras diferem de si
A esperança dá alento
A que a chuva e o vento
Se transformem num potento
de alegria e amor
Se não encontrarmos o amor aqui
talvez o encontremos ali
Se te disser o que sinto e não minto
Porventura não acreditarias em mim?
Choro, pois não o decoro
Sinto-o e não te consigo dizer
As palavras mais simples
mas que no momento exacto
Se transformam na muralha da china
E eu ai fico incapaz de soletrar
Como se um aperto no peito
Eu leva-se e não me livra-se
de pensamentos negativos
que em nada me encorajam
a dizer-te as palavras.

Saturday, November 25, 2006

Recordo

A insustentável leveza do ser
Leva-me em tudo a crer
Que no centro está o poder
A vontade e a possibilidade
De mudar a precariedade
Eu quero, posso e mando
No meu ser e corpo até morrer
Fiel a principios e nunca a meios
Sou de entre vós dos primeiros
A defender a liberdade e o amor
A luta em igualdade por temor
Hoje sinto-me adversamente triste
Singular no meio da multidão
Choro e recordo
Indubitavelmente acordo
e decido o temido.

Monday, October 23, 2006

Sitiado

Fui ao meu encontro
Naquele dia chuvoso
Estava um tempo tenebroso
E os meus nervos estavam ao rubro
O vento assobiava o Destino
E o meu rumo já não era sentido
Andava perdido há horas
Deambulando entre recantos da minha mente
Sem pressas nem demoras
Intemporalmente vigente
Era o meu estado de sitiado
Do meu próprio ‘Eu’
Em greve de pensamentos
Em busca de contentamentos
Pois a alma sem amor
É chama sem calor.

Friday, September 22, 2006

Areia

Não creio no destino
Pois nós podemos mudá-lo
Não é uma lei universal
É assim afectado pelo tempo e acções
Estas sim são as conclusões
E no fim dissipam-se as ilusões
Os sonhos, os castelos de areia
Que numa tarde de sol se elevaram
A sorte é no meio disto tudo
Um aparte
Uma variância ininterrupta
e por vezes corrupta
Por factores lógicos
Basta de desilusões
Quero paixões.

Saturday, September 16, 2006

Botão

Como uma ave engaiolada
Enfrenta o dia a dia
Eu também cercado
Enfrento a dor da ausência de liberdade
Não física mas espiritualmente
Como se tivesse uma corrente
E me fecha o corpo por dentro
Grito e corro sem destino
Como se fosse um cretino
Luto, sangro mas não aprendo
Talvez o castigo seja justo
E eu não mereça mais que tudo isto
Mas então que faço nesta vida
Fracassar não pode ser de certeza
Sinto-o com clareza
Que algo mais concerteza
Espero pelo momento certo
E ai não vou esperar mais

Pois não o mereço mais.

Monday, September 11, 2006

Convencido

Foi num dia escuro
que destrui o muro
não devem de existir barreiras
mas sim coexistência de ideias
Foi uma luta desigual
em que quase tudo correu mal
e quando já a derrota era certa
proclamavam alguns a minha morte certa
Acho que certas pessoas aprenderam
a não subestimar quem verdadeiramente não conhecem
Estou fraco mas não vencido
mas sim convencido
do que sou e do que serei capaz
e que me tornarei mais audaz
face às vicissitudes da vida
que me tem sido pouco colorida.